Os meniscos são estruturas de fibrocartilagem em formato de meia-lua localizadas no interior do joelho, entre o fêmur e a tíbia. Cada joelho possui dois meniscos: o menisco medial, na parte interna, e o menisco lateral, na parte externa da articulação. Juntos, eles exercem funções fundamentais para a saúde do joelho:
Diante dessa importância, a medicina ortopédica moderna tem como princípio fundamental: preservar o menisco sempre que possível. A meniscectomia total, retirada completa do menisco, foi abandonada há décadas por gerar artrose precoce do joelho.
As lesões meniscais se dividem em duas grandes categorias com abordagens distintas:
Ocorrem por trauma agudo, como torção do joelho com o pé fixo no chão, comuns em esportes como futebol, basquete e esqui. São mais frequentes em jovens e adultos ativos. Dependendo do tipo e da localização da lesão, podem ter indicação cirúrgica.
Ocorrem gradualmente pelo desgaste do tecido meniscal ao longo dos anos, frequentemente associadas à artrose do joelho. São mais comuns após os 40 anos e respondem muito bem ao tratamento conservador com fisioterapia.
Quanto à localização, as lesões podem ser: vertical, horizontal, radial, em alça de balde, em flap, em rampa ou complexas. O tipo exato da lesão é fundamental para definir o melhor tratamento e é identificado pela ressonância magnética.
O bloqueio articular verdadeiro, diferente da simples rigidez, é um sinal de alerta que pode indicar necessidade de avaliação cirúrgica urgente.
Esta é a pergunta mais importante e, ao mesmo tempo, a que mais gera confusão entre os pacientes. A evidência científica atual é clara e favorável ao tratamento conservador na maioria dos casos.
O Consenso ESSKA-AOSSM-AASPT de 2024, elaborado por 67 especialistas de 14 países, estabelece com evidência de alta certeza (Grau A) que lesões meniscais degenerativas podem ser tratadas com resultados comparáveis por abordagem não cirúrgica ou cirúrgica, e que o tratamento não cirúrgico incluindo fisioterapia deve ser a primeira abordagem.
O estudo ESCAPE, ensaio clínico randomizado multicêntrico com 321 participantes publicado no PEDro (Physiotherapy Evidence Database), mostrou que a fisioterapia baseada em exercícios não foi inferior à cirurgia artroscópica para lesões meniscais sem bloqueio articular, com menor taxa de efeitos adversos no grupo de fisioterapia.
O DREAM Trial, publicado no NEJM Evidence (2022), avaliou adultos jovens de 18 a 40 anos com lesões traumáticas de menisco. Mesmo nesse cenário, onde a cirurgia era considerada necessária, apenas 26% do grupo que recebeu exercício supervisionado precisou de cirurgia posteriormente. A cirurgia precoce não foi superior a 12 semanas de exercício supervisionado.
A Diretriz AAOS 2024 para lesões meniscais agudas isoladas estabelece como recomendação moderada que fisioterapia e reabilitação podem beneficiar esses pacientes, e como recomendação forte que quando a cirurgia for indicada, deve-se preservar o máximo de tecido meniscal possível.
Apesar do forte respaldo do tratamento conservador, existem situações onde a cirurgia permanece indicada:
Quando a cirurgia for necessária, é realizada por artroscopia, técnica minimamente invasiva. O objetivo é sempre preservar o menisco, suturando a lesão quando possível (reparo meniscal), ou removendo apenas as partes que não funcionam e causam dor (meniscectomia parcial).
O programa de fisioterapia para lesão de menisco é dividido em fases progressivas:
O fortalecimento dos músculos do quadril é igualmente essencial: a estabilidade do joelho depende diretamente da força dos glúteos e abdutores. Estudos mostram que o corpo funciona em cadeias musculares, e tratar apenas o joelho sem fortalecer o quadril produz resultados inferiores.
A SUORT Clínica Integrada está na Rua Cayowaá, 2066, em Perdizes, São Paulo. Atendemos de segunda a quinta das 7h30 às 18h e sextas até as 17h30, com mais de 50 convênios aceitos. Nossa equipe integrada de ortopedistas e fisioterapeutas oferece diagnóstico preciso e plano de tratamento individualizado para lesões de menisco.