Durante décadas, quando o tratamento com medicamentos e fisioterapia não era suficiente para controlar a dor articular, a cirurgia era a próxima etapa quase inevitável. Hoje, existe um passo intermediário robusto e com boa evidência científica: as infiltrações regenerativas.
Essas terapias usam componentes biológicos — do próprio paciente ou processados — injetados diretamente na articulação afetada para estimular a regeneração dos tecidos, reduzir a inflamação e restaurar a função. São minimamente invasivas, realizadas em consultório e, em muitos casos, evitam ou posteriam significativamente a necessidade cirúrgica.
O PRP é obtido de uma pequena coleta do sangue do próprio paciente (30 a 60 ml). Esse sangue é processado por centrifugação para concentrar as plaquetas — células sanguíneas ricas em fatores de crescimento como PDGF, TGF-β, IGF e VEGF. Esses fatores funcionam como sinalizadores bioquímicos que instruem o organismo a intensificar o processo de reparo tecidual.
Quando injetado na articulação, o PRP age como um catalisador biológico: não cura magicamente, mas potencializa o que o corpo já tenta fazer naturalmente, porém de forma insuficiente.
O protocolo mais comum prevê de 2 a 3 infiltrações, com intervalo de 4 a 6 semanas entre cada uma. Alguns pacientes respondem bem com uma única aplicação; outros se beneficiam de ciclos anuais de manutenção. A resposta individual varia conforme a condição, o estágio da lesão e o estilo de vida do paciente.
O ácido hialurônico é uma molécula naturalmente presente no líquido sinovial das articulações, responsável pela viscosidade e lubrificação que permitem o movimento suave entre os ossos. Com o envelhecimento e a artrose, a concentração e qualidade do hialurônico articular diminuem, aumentando o atrito e a dor.
As infiltrações de ácido hialurônico (viscossuplementação) repõem essa molécula diretamente na articulação, restaurando as propriedades mecânicas do líquido sinovial. São especialmente eficazes no joelho e no ombro.
Ao contrário dos corticosteroides (cortisona), o ácido hialurônico não tem efeito anti-inflamatório direto, mas seu efeito de lubrificação e proteção da cartilagem é sustentado — com duração que pode chegar a 12 meses após um protocolo completo.
O BMAC (Bone Marrow Aspirate Concentrate) é obtido por aspiração da crista ilíaca (pelve) do próprio paciente, sob anestesia local. O material é concentrado e injetado na articulação afetada. Rico em células mesenquimais com potencial regenerativo e fatores de crescimento, o BMAC representa a fronteira mais avançada das terapias regenerativas disponíveis hoje.
É indicado principalmente em casos de artrose moderada a grave onde o PRP não foi suficiente, falhas condrais (lesões de cartilagem) mais extensas e situações em que se deseja postergar ao máximo a cirurgia de substituição articular.
As infiltrações de corticoide (como triancinolona ou betametasona) continuam tendo indicação em situações específicas de dor aguda intensa e inflamação articular ativa. Porém, o uso repetido e indiscriminado tem sido associado a efeitos negativos na cartilagem a longo prazo. A tendência atual é reservá-las para situações pontuais e preferir os biológicos regenerativos para tratamentos de longa duração.
O procedimento é realizado em consultório, com o paciente sentado ou deitado. Após assepsia rigorosa, o médico aplica a substância diretamente na articulação com agulha fina. O uso de ultrassom para guiar a agulha aumenta a precisão e a segurança. O procedimento dura poucos minutos, com dor mínima. O paciente retorna para casa logo em seguida, com orientações de repouso relativo por 24 a 48 horas.
O desconforto é mínimo e comparável a um exame de sangue. Em articulações mais profundas ou sensíveis, pode-se aplicar anestésico local previamente. A maioria dos pacientes classifica o procedimento como bem tolerável.
Os primeiros efeitos costumam ser percebidos entre 4 e 8 semanas após a primeira aplicação. O benefício máximo geralmente é atingido entre 3 e 6 meses após o ciclo completo. É importante ter expectativas realistas: o PRP não regenera cartilagem destruída, mas pode estabilizar o processo e reduzir significativamente a dor e a limitação funcional.
Sim, em alguns protocolos a combinação é utilizada. A indicação depende da avaliação individual do ortopedista. O ácido hialurônico pode ser aplicado em sessões alternadas com o PRP ou em combinação, dependendo do caso.
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